Guia do autor de música livre: musicalibre.info – Introdução

Guia do autor de música livre

musicalibre.info [1]

Introdução

Este artigo se propõe a ser uma guia para artistas que queiram começar a distribuir sua música sob o modelo copyleft. Todo este texto é, por ora, elaboração própria do musicalibre.info. Se você tem alguma contribuição, correção etc., não hesite em enviá-las para musicalibre[arroba]musicalibre.info. Esta é a primeira versão desta guia.

Vantagens e inconvenientes

A música livre se apresenta como uma alternativa tanto à política e funcional quanto ao modelo convencional da indústria audiovisual. Sustenta-se a partir de determinados princípios éticos, e é ao mesmo tempo uma alternativa mais eficaz. A música livre, diferentemente da música convencional, permite certos direitos a terceiros. No mínimo, uma canção é música livre se permite a cópia e a distribuição não comercial, isso implica que possa ser colocada na internet ou que possa ser objeto de compartilhamento nas redes p2p (emule, kazza etc.), sem que gravadoras, SGAE [Sociedade Geral de Autores e Editores espanhola, equivalente ao ECAD brasileiro] ou outras entidades de gestão possam se opor a isso, ao menos legalmente. A música livre é, portanto, diferente dos produtos convencionais da indústria musical.

A indústria audiovisual que influencia as leis e os meios de comunicação se baseia em um modelo de negócio que tem seu fundamento no controle total da produção. A indústria decide quem vai ser famoso, o que vai triunfar e o que vai fracassar. E isso porque, além de dispor de toda a infraestrutura de distribuição, tem uma poderosa influência sobre os meios de comunicação (por exemplo, as estações de rádio).

Esse sistema de produção gera uma importante homogeneização dos gostos e da oferta musical. Contudo, o acesso através de redes p2p a grande quantidade de música freou esta homogeneização. Não é arriscado prever que estamos no caminho de ter mais grupos de sucesso médio e menos de “grandes estrelas”.

A indústria musical atual montou-se sobre estruturas nas quais a cópia doméstica de música era realmente cara. Há dez anos, era mais caro fazer uma cópia de um CD que comprá-lo, além que de ter uma menor qualidade.

No ano de 2004, um estúdio da Universidade de Bournemouth concluiu que, na Alemanha, existem somente 1.200 autores “profissionais” que vivem de sua música, mas somente 18% conseguem graças aos direitos de autor, isto é, somente 216 autores vivem graças aos royalties na Alemanha.

Apesar disso, poderia se dizer que as gravadoras também oferecem serviços de promoção. Elas levam os músicos à rádio e colocam seus discos em muitas lojas. Contudo, se nenhuma gravadora aposta por nós, os autores, se nenhuma nos grava um só disco, mas aposta por nós para nos convertemos em um desses 216 autores, assinar com ela talvez somente possa significar que perdemos nossos direitos sobre nosso trabalho, enquanto que a difusão de nossa música na internet e nas redes p2p fica limitada.

Além da indústria, existe também um poderoso freio “mental” à música livre. Muitas pessoas pressupõem certa qualidade a um grupo com um disco editado, ainda que se possa demonstrar a falsidade dessa afirmação.

Apostar na música livre para ganharmos o conhecimento do público obriga um esforço. Este artigo propõe fazer esse esforço mais fácil. Vamos colocá-los no caminho de como devemos registrar nossas canções, quais licenças copyleft podemos usar, como se pode gravar e distribuir um disco copyleft, como fazer a promoção. Mas sempre devemos estar conscientes de que estamos ante um novo mercado. Um mercado que não sabemos se será ou não paralelo ao que as gravadoras dominam, ou se entrará em competição direta com elas. Um mercado no qual, para o bem ou para o mal, existe muito a investigar e descobrir.


[1] Este artigo for elaborado originalmente por musicalibre.info. Versão 1.0 de 03/10/2005. Disponível em: http://www.musicalibre.info/pagina.php/guia.
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