Experiências de Produção de Materiais Livres no Mundo Audiovisual

Podemos apenas fazer referência a experiências audiovisuais que optaram por Copyleft em nosso ambiente mais imediato, assim como levantar alguns dos debates presentes entre aqueles que fazem parte desta emergente comunidade Copyleft audiovisual.

Antes de mais nada, devemos notar que, devido ao estado embrionário da comunidade à qual nos referimos, o primeiro passo para sua consolidação deve passar pela criação de infra-estrutura e redes que permitam a proteção, distribuição e livre uso de seus materiais.

É possível encontrar, no entanto, algumas das experiências que estão dando forma à comunidade a que nos referimos.

Experiências de Distribuição

Como foi observado várias vezes, a generalização da Internet transformou completamente o panorama da distribuição e tornou-se o meio no qual apostaram boa parte dos criadores.

A descarga através de páginas web, quer seja de produtoras, cooperativas ou coletivos, além do uso massivo de redes P2P canalizam a circulação de grande parte das obras audiovisuais, tenham ou não licenças livres.

No entanto, embora a Internet seja um espaço imprescindível e o surgimento de novos formatos de compressão permita obter cada vez mais qualidade, a distribuição via Internet segue tendo algumas carências. De um lado, os formatos de compressão seguem sem oferecer a qualidade que tem os DVD’s (essencial para grandes projeções), e, por outro, a venda de mídia ainda é uma maneira interessante de obtenção de renda pelos autores. Estas são as razões que impedem que a distribuição convencional seja abandonada por completo.

Assim, para atingir certa renda e níveis mínimos de qualidade, muitos criadores de materiais livres costumam optar por editoração eletrônica em DVD’s.

Produzidos os DVDs, se levanta o problema de sua distribuição. Por um lado, há aqueles que apostam no que poderia ser chamado auto-distribuição, isto é, a distribuição dos DVDs diretamente aos pontos de venda da mão de seus autores, sem intermediários. Por outro, há autores que apostam nas redes de distribuição que em muitos casos estão especializadas na distribuição de outros produtos.

A primeira destas opções, mais cara em termos de trabalho e que requere ainda o controle dos pontos de venda, é também a que mais reporta benefícios. A segunda, no entanto, garante a presença de uma infinidade de pontos a que os autores podem dificilmente ter acesso de forma individual.

Como última opção, poderíamos contar com a venda de materiais pela Internet. Esta modalidade é fornecida em boa parte dos projetos de produção. Além disso, há casos consolidados, como o da distribuidora Cine Rebelde, especializada em documentários, tenham ou não uma licença livre.

Diante desta realidade, a criação de distribuidoras de materiais audiovisuais que não se encontrem em canais comerciais e que tenham o propósito de apostar em licenças livres é um projeto jovem e na boca de grande parte da comunidade audiovisual copyleft. A necessidade destas distribuidoras audiovisuais está, além disso, relacionada com construção e consolidação dos canais para a multiplicação de materiais Copyleft, assim como a sustentabilidade de projetos de produção.

Breve Mapeamento da Comunidade Audiovisual Copyleft: Exemplos de Produção

Como ocorreu com a distribuição, a rede de produção de materiais audiovisuais copyleft não é muito ampla, pelo menos não tão ampla como em outras áreas de produção de obras intelectuais. No entanto, um número cada vez maior de experiências começam a alimentar este espaço. Os vídeos postados na Internet que contam com o “C” invertido ou o símbolo CC aumentam a cada dia e podemos afirmar que a sensibilidade e respeito às licenças está cada vez mais presente entre as pessoas e coletivos que editam materiais audiovisuais.

Restrições legais para uso do grande repositório de imagens que é a Internet, bem como a clara autonomia de produção que têm boa parte dos criadores, fazem que seja de “bom senso” não apostar nos benefícios do Copyright, além de que há cada vez mais pessoas conscientes de que não é necessária nenhuma entidade de gestão para a exploração das obras.

Em qualquer caso, as experiências coletivas de produção de materiais audiovisuais com licenças livres, são reduzidas. Longe vão os exemplos da BBC no Reino Unido, que colocou à disposição do público seu arquivo sob licenças livres, ou os exemplos de periódicos gratuitos de grande distribuição que também optaram por licenças CC, como o ’20 Minutos’.

No caso que nos diz respeito, as únicas experiências coletivas que apostaram claramente nestas licenças têm sido as produtoras próximas a iniciativas sociais. Estes espaços, que são parte de um espectro que vai desde pequenos produtores até coletivos e políticos, empreenderam uma importante batalha para que as licenças livres sejam um elemento central de sua produção.

Alguns dos casos mais notáveis em relação a coletivos, os quais posteriormente são apresentados em uma lista de links, seriam Okupem les ones, La Plataforma, SinAntena ou Eguzki Bideoak. Se trata de um conjunto de projetos de produção audiovisual que há alguns anos começaram a aplicar estas licenças a suas criações.

No entanto, o mais importante na consolidação e expansão das licenças livres está no capítulo sobre produções específicas, como vídeos caseiros, documentos de vários tipos, blogs de vídeo e criações de vídeo.

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